Ministra Maria do Rosário participou de reunião da Abruc
“Precisamos viver um uma sociedade que não seja pautada pelo ódio, violência e preconceito de nenhum tipo. Isto é direitos humanos e, para atingir isto, educação é fundamental”, pontuou a ministra-chefe da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, na noite desta quinta-feira (31/3), na Unisinos. A ministra veio à universidade para a conferência magna da Associação Brasileira das Universidades Comunitárias (Abruc). O evento, que lotou a Galeria Cultural da Biblioteca, foi transmitido ao vivo pela TV Unisinos e, pela internet, no site da Abruc.
Antes de falar para os cerca de 500 estudantes, Rosário participou de uma reunião com a direção da Abruc e do Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas (Comung). Vilmar Thomé, reitor da Universidade de Santa Cruz do Sul e presidente da instituição representativa nacional, destacou que a atuação da ministra, durante o mandato como deputada, foi fundamental para o encaminhamento do projeto de Lei que regula as instituições comunitárias. “Queremos nos unir a este projeto nacional e colocar nossas universidades a disposição para agir junto com a SDH”, disse Thomé.
O reitor da Unisinos, Pe. Marcelo Fernandes de Aquino, lembrou que a data da conferência marca também o início de um dos períodos mais duros que o Brasil já enfrentou. “31 de março marca o início do golpe militar, que tanto desrespeitou os direitos humanos dos cidadãos brasileiros. Queremos com esta conferência que o dia fique conhecido como dia do respeito aos direitos humanos”, salientou
Ney Lazzari, reitor da Univates e presidente do Comung, trouxe para a reunião dados importantes sobre a atuação das instituições de ensino comunitárias. Dentro do Rio Grande do Sul, 70% dos alunos de graduação estudam nestas instituições. No Brasil, este percentual é de 48%. “Temos relação com as comunidades, atuamos representando esta população junto aos Coredes (Conselhos Regionais de Desenvolvimento) e mudamos o perfil do jovem, que não precisa mais se deslocar para a capital para estudar, gerando recursos humanos qualificados para todo o estado”, pontuou.
Programas como Pibid (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência), Fies (programa de financiamento estudantil do governo federal) e Prouni (Programa Universidade para Todos) foram citados pelos reitores como exemplo de contribuição para o acesso e melhora na educação. “Queremos continuar fazendo mais e melhorando a educação no país. Para isso, precisamos do apoio do governo federal e, principalmente, da aprovação da lei das comunitárias”, disse Thomé.
Aula magna
Para Maria do Rosário, além de se desenvolver mais nas áreas tecnológicas, o Brasil precisa também para estudar e compreender direitos humanos e educação. “São premissas importantes para termos um país melhor”, disse. Para isto, a ministra salientou a importância das instituições de ensino comunitárias, porque além de suprirem a lacuna deixada pelo governo, ainda qualificam pessoas em todas as regiões do estado e do Brasil. “Sozinho, o Estado não consegue suprir a procura por ensino superior, isto torna as comunitárias ainda mais importantes”, disse.
A ministra, que também é professora e deputada, salientou que a educação de qualidade também é um direito humano e que as escolas e universidades devem ser, também, locais de alegria, satisfação e promoção da vida. “Hoje em dia parece que aceitamos mais as coisas como são; a correria é grande e não paramos mais para formular questões fundamentais para a vida em comunidade.”
Segundo Rosário, há uma memória coletiva que vincula o tema de sua pasta a sentimentos negativos, ligados a defesa de criminosos. É importante, disse, recuperar o total significado da expressão e ver que direitos humanos é para todos. “Não existe direitos humanos sem democracia. Temos que continuar construindo uma sociedade de respeito às diferenças, sejam elas étnicas, sexuais, de idade ou de gênero”, acrescentou.